(Quase) Tudo novo de novo
/Sue Barr via Snapwire
- Mäe, eu vou mudar de sala? - o menino me perguntou, objetivamente.
- Sim!
- Por quê?
- Porque vai começar um ano novo…
- Por quê? - ele insistiu, já não tão objetivo assim…
- Porque é assim, filho! A gente organizou o tempo assim, e está chegando o fim deste ano. Este é o último mês deste ano. Vamos entrar de férias e, quando voltarmos, você vai estar mais crescido e pronto pra uma sala nova, com novos aprendizados, nova professora, novos…
- Mas eu vou continuar brincando?
- Sim!
- Com meus amigos?
- Sim!
- Ufa, que é tão bom… - ele respirou aliviado, me deixando sozinha com as perspectivas de mudança pro ano novo. Aos cinco anos, ele não precisa delas, porque não viu todas as crises que eu - e quase todo mundo - viu passar nos últimos 12 meses. Temos motivos de sobra pra querermos um ano estalando de novo, eu tenho certeza, mas talvez seja útil respirar fundo e pensar na enorme lista do que gostaríamos que ficasse como está. Nem cabe num papel. Nem sei escrever.
Aquelas vozinha (ou seriam vozinhas?) gritando “mamãaaae” (ou seria “papaaaai”?) todas as manhãs pode ser um começo, assim como o barulho dos passinhos de quem acordou sozinho e veio dar bom-dia, sem mágoa alguma com o dia anterior… Aquele monte de perguntas de quem quer descobrir o mundo, sem se preocupar com o tamanho que o mundo tem… A alegria de quem sacou que vai passar mais alguns minutos com seu brinquedo favorito, sem a ansiedade de quem sabe que esses minutos talvez passem voando e você nem veja… O protesto cheio de paixão de quem quer brincar mais e não se deixa levar pelo cansaço, ou pelo relógio, ou por essas convençōes que a gente criou…
Tomara que a gente consiga mesmo construir um ano novo, com valores mais sólidos e notícias melhores, com mais disposição pra reverter o que não está bom, mas tomara também que a gente tenha olhos pra ver e inspiração pra aproveitar o que é simples, absolutamente simples, e está aqui - bem diante dos nossos olhos.
Feliz ano novo! Feliz, de novo!