Mãe, por que você chorou?
/Meu menino me perguntou porque eu chorei na formatura dele. Respondi de pronto, assim, meio resumidamente, da forma que eu (chorosa) consegui responder a um menino de seis anos, mas achei que fiquei devendo. Achei que eu podia elaborar um pouco mais e tentar explicar, ainda que entender só seja possível pra ele dentro de uns bons anos. Ele se formou no ensino infantil - e essa frase já nasce meio torta, estranha aos meus olhos, como que grandiosa demais. Ninguém se forma aos seis anos, convenhamos. Se dependesse de mim, teríamos tido um rito de passagem simples, mais low-profile, menos pomposo (e mais barato). Mas a escolha àquela altura do campeonato não era exatamente minha, e a verdade é que eu chorei.
Chorei antes mesmo de começar, chorei só de pensar, e chorei por causa dele, por causa de nós, por causa do que já houve e do que ainda vai haver. Chorei por causa da transformação, por causa da beleza de crescer, de aprender, de criar asas, de tentar, de errar, de acertar. Chorei porque nós dois erramos e, principalmente, porque nós dois acertamos muito até aqui. Chorei por causa daquelas outras crianças que, embora tenham vindo de famílias absolutamente distintas, trazem no olhar a mesma doçura que o meu menino traz, a mesma convicção de que o mundo é bom, de que por ele vale a pena crescer. Chorei porque todas aquelas crianças importam pro meu filho, fazem parte da história dele e, se importam pra ele, importam pra mim.
Chorei porque embora todas elas estivessem claramente ensaiadas, elas dançavam, falavam e sorriam porque queriam e nenhuma parecia preferir estar em qualquer outro lugar que não ali, exatamente onde estavam. Dançavam como crianças que são, sem se importar com o mundo dos adultos, que complica tudo, pōe tudo em risco, deixa tudo na corda bamba. Chorei porque o menino corria, erguia os braços, rodava de um lado pro outro e batia as asas cumprindo sua poética função de passarinho e, vez ou outra, olhava pra mim, sorria, me perguntava com os olhos se eu estava gostando, e eu respondia com o coração “estou amando, meu filho, sempre mais e mais”.
Chorei por mim, por lembrar da menina de vestido amarelo que eu era quando tive eu a minha primeira formatura, sem fazer qualquer ideia do que aquilo significava e por qual caminho eu ia seguir. Chorei por mim, por causa dos pensamentos que eu tinha seis anos atrás enquanto alisava a barriga e fazia planos pro menino que ia chegar e mudar a minha vida. Eu não fazia ideia do quanto, e por isso eu chorei.