Dia 4/52
/(Dia 4) A ideia era boa, ótima na verdade, mas o pequetito deixou claro pra mim, logo de cara, que não estava no clima que eu imaginei. Eles passaram o ano todo levando pra escola os lanches da Casa Taé, e nesta tarde de terça foram convidados pra ir até lá e se juntarem a outras crianças pra cozinharem juntos. Fazer, com as próprias mãozinhas, os bolinhos que carregaram na merendeira durante o ano, numa espécie de confraternização em forma de oficina... Mas enquanto eu ia descendo do carro, ele já foi dizendo que estava com vergonha, e a partir dali se recusou a fazer quase tudo o que eu pedi.
A casa é velha conhecida dele, já passou muitas tardes ali brincando e curtindo a tia (que é minha e dele, por consequência), e talvez seja por isso mesmo que não estava curtindo a ideia de confraternizar… se recusou a dizer oi, a dar beijo, a ir conhecer as outras crianças e, se eu ainda não estava irritada, começou também a “deixar cair” coisas no chão, a puxar minha saia e a atirar o próprio sapato pela sala. E eu já não estava reagindo bem - ali, entre o carro e a cozinha, tinha perdido a conexão... Aí minha tia me deu a ideia: “deixa eu tentar sozinha”. E disse pra ele que mamãe estava invisível, que era com ela que ele precisava resolver o que fosse, que era como se eu tivesse tomado um pozinho mágico. Entrei na brincadeira e fiquei só observando. “Sem a mamãe”, ele ainda fez algum charme, mas o tom era outro. Olhava pra mim de vez em quando, mas se contentava com um sorriso a distância, e logo foi se apresentando, tomando à frente da receita, querendo quebrar os ovos e mexer a massa. Em pouco tempo, ele já queria estar ali, exatamente onde estava. E nós estávamos juntos, juntinhos, outra vez… (é que, como dizem, a gente precisa de uma tribo inteira... 😉)