Dia 9/52
/(Dia 9) Este é o retrato do nosso nono dia de férias juntos, segundo dia de dolce far niente no sítio do vovô. Quem olha aí vê um menino feliz, mas o segredo por trás da foto é que esse menininho e a água nunca foram grandes amigos. Esta foto é uma janela nova que ele acabou de abrir… Desde bebê, desde sempre, o pequetito reclama quando a gente deixa o chuveiro molhar seu rosto - fecha a cara, cobre o nariz e a boca com as mãos, e só para depois de esfregar a toalha em si mesmo, com toda a força que tem. "Preciso ficar com o olho seco pra tomar banho direito" - é, em resumo, o argumento dele. Por causa disso, e porque a gente sabe que nadar é importante, ele frequentou aulas de natação pra bebê e depois para criança pequena, e aos poucos foi trazendo pra mim mais uma dose aquele velho conhecido desafio de não comparar um filho com o outro: na idade dele, o irmão já… não interessa! O ritmo dele é outro e, no caso da relação com a água, o ritmo dele é lento. Há algumas semanas caí na tentação de dizer ao professor de natação, cujo pescoço ele não larga, que talvez a gente devesse agilizar um pouquinho, e ele respondeu sem dúvida: "não adianta a gente forçar". Pois é.
Hoje, depois de mais um ano inteiro de aulas de natação de um lado e uma rotina atribulada de outro, o pequetito esteve sem pressa e sem pressão na piscininha com a família inteira. Entrou quando quis, entrou porque quis. Poucos centímetros de água, mãozinha dada com o papai, e depois com a mamãe, brincadeiras com o irmão, sai, entra de novo, pega a bola, me dá um biscoito, guerrinha de água, abraço e beijo molhado… se soltou. Ficou, acho que posso dizer assim, o dia inteiro ali dentro. Passou debaixo do túnel, com os olhos bem molhados, e no final ergueu os bracinhos pra comemorar. Não sabe nadar, mas agora sabe que pode.