Dia 26/52

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(Dia 26) Ser irmão mais novo não é para os fracos. Eu, na verdade, não sei muito bem (deve ter gente aí muito mais indicada pra opinar), nasci antes das minhas duas irmãs, então me meto a falar com base no que eu observo aqui, e observo há 4 anos. Meu pequetito passou a tarde de hoje, e um pedaço da noite, se esforçando pra acompanhar o irmão e o amigo da escola, ambos com 7 anos nas costas e muita experiência nessa vida de criança. Gabaritadíssimos no Lego, na arte de contar histórias sem perder o fôlego, de subir e descer dos móveis, de abrir caixas, de comer pipoca sem deixar cair, de não chorar sempre que se frustra diante de qualquer coisa… E, claro, não foi moleza. Ele até começa muito bem, tem um monte de habilidades especialmente desenvolvidas exatamente por conta do esforço constante, mas tem uma hora que a vida lhe lembra que ele só tem 4 anos, e ele sua, senta no chão, às vezes pede colo, invariavelmente, chora. 

De longe eu fiquei ouvindo esse movimento, por vezes e vezes, e o bonito é ver a solidariedade dos maiores, que (quase) nunca insinuam que ele não possa acompanhar. Ao contrário, já sabem consolar, sugerem que ele se acalme antes de falar, e, em último caso, oferecem ajuda, "deixa, eu arrumo pra você, não precisa chorar". Muito melhor do que o meu colo, ao menos naquele contexto, muito mais eficiente do que eu ir lá repetir o discurso de sempre, de que ele ainda vai aprender, que tudo tem sua hora, etc, etc… É bem verdade que lá pelas tantas ele se esgota, arruma uma briga desproporcional, e é nessa hora que precisa de um respiro, "vem aqui, vamos assar um pão de queijo, dá um tempo aqui comigo"... Mas muito antes de a fornada sair, o tal tempo já acabou e ele está lá de novo, na ponta do pé pra alcançar seu Pokemon, com os olhos arregalados pra entender a dinâmica da nova brincadeira. Quando se tem um irmão mais velho, desses que dividem a vida com você, o tempo corre de um jeito único, e é melhor a mamãe não se meter a medir…