Dia 35/52

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Rodamos longamente pelas ruas do Centro Histórico de Roma, e também mais um pouquinho pra cá, e um cadinho mais pra lá... Fomos percorrendo vias apertadinhas, ruas movimentadas com vitrines cheias de nomes conhecidos, praças grandiosas, pequenas praças surpresa, fontes de água claríssima, chão de pedra, estátuas e mais estátuas. Paramos pra admirar tudo, pra tentar entender, pra comer pizza e tomar gelato, e também paramos pra ver brinquedos - uns lindos e delicados que a gente nunca viu, e outros velhos conhecidos, os que fazem a gente pular de alegria. 

No fim da tarde, chegamos na porta do Panteão, que, pra início de conversa, tem dois mil anos. Depois de já ter conquistado e perdido a atenção dos meninos por incontáveis vezes ao longo do dia, fiz mais uma investida, contei pra eles sobre a imensa cúpula (a maior de concreto não armado do mundo!), o “buraco no meio”, que deixa entrar o sol e a chuva e depois disse que ali, do lado esquerdo, debaixo daquela estátua de uma moça com um bebê no colo, está Rafael, Rafaello, aquele que pintou tantas coisas lindas aue a gente já viu. O pequetito me puxou pela mão, quis chegar perto, ficou olhando quieto e depois, bem depois, me disse que não entendia como Rafael estava ali e que estava triste. “Morreu que dia? Morreu por quê? Por que guardaram o corpo dele?” Respondi a todas as perguntas que ele tinha, fui tentando polir o estranhamento de leve, não dizer nem mais nem menos do que o que ele precisa, e por fim ele me pediu pra voltar lá, “eu quero ver de novo”. Foi por conta dele até perto do túmulo, não demorou, e voltou já andando em direção à porta (porta gigante!) dizendo “mãe, vamos, ainda bem que ele pintou tantas coisas”...