Um mais um são uma multidão
/Andrew Branch/Stocksnap
Sabia que um mais um são bem mais que dois? Não? Siiim! Claro que sim! Me acompanhe, por favor: tenha um filho. Muito bem. Agora, tenha outro. Espere eles crescerem um pouquinho… pronto! Aí está. Parece uma multidão, né? Mas foram duas, apenas duas pessoas que empilharam esse monte de brinquedos pela casa, são dois indivíduos que te fazem pedidos de toda espécie e em todo lugar, e que chamam o seu nome o dia inteiro. Não é uma galera. São dois. Quatro mãozinhas… quatro perninhas… duas boquinhas sorridentes!
Eu acho graça quando alguém me pergunta se é trabalho dobrado. Ah, minha querida! É bem mais que isso porque a conexão e a cumplicidade fazem coisas difíceis de descrever. Dão a cada uma das crianças uma oportunidade única de desenvolvimento e afeto e à dupla, enquanto dupla, uma capacidade inenarrável de botar pra quebrar. Expliquei? Aqui, na nossa casa, a fase 6/3 está animada. Começam a brincar juntos, de fato, sem um adulto por perto, o que é lindo, mas o brincar ainda é permeado pelo brigar, mesmo que seja quase sempre briga boba - eu disse boba, não silenciosa. Juntos, se sentem encorajados a testar, a se rebelar, a ver o que é que acontece se… Mas são bons meninos, viu? Eu diria que o problema do pequetito é o menino, e problema do menino é o pequetito.
Brincadeiras à parte, eu concluí outro dia no meio de uma conversa que a maior alegria de cada uma das minhas crianças é também o elemento que mais as desafia na vida: o irmão. Basta a gente fazer o teste. Se passam algumas horas separados, se comportam quase que como dois lordes, calmos, fofos, interessados, capazes de ouvir e de atender quase sempre - "parece até outra criança", a gente diz de forma inconsequente. E aí, quando se encontram, se abraçam saudosos, trocam carinhos (meio bruscos na verdade) e se abrem para essa relação cheia de amor e... conflito. Felizes como nunca, animados como nunca, agitados como nunca, às vezes angustiados como nunca…
Por causa do irmão (e imagina se forem dois, três!), criam-se demandas várias, relações múltiplas, emoções e mais emoções… O menino é o menino, mas é irmão do pequetito, e é meu filho, e é filho do pai dele, e cada um desses elos vai criando novas expectativas e necessidades… O pequetito é o pequetito (tá meio grande já), mas é também irmão do menino, meu filho, e por aí vai… A relação dos dois, portanto, vai ter sempre todas essas outras relações no caminho, todas essas outras demandas, todas essas outras vibrações. E, aí, sem nenhuma dificuldade, viramos uma multidão.