O melhor pai de todos

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Ele escreveu lá: “pai, você é o melhor pai de todos". Eu soube depois, quando perguntei, que cada um deveria escrever o que quisesse, qualquer frase que lhe viesse à cabeça. Era a legenda da foto no mural da escola, que expõe amores (e vai saber o que mais) nesta semana que antecede o Dia dos Pais. Fiquei quietinha pensando o que o teria feito expressar dessa forma seus sentimentos, já que, sabemos bem, não existe nenhuma comprovação do fato. Uma inquestionável, doce e mentirosa verdade… Os melhores pais de todos estão, ainda bem, espalhados pelo mundo (e acho que estão se multiplicando), criando com as melhores mães as famílias mais felizes e fantásticas que podem criar. Ou talvez estejam criando sozinhos. Ou talvez com outros pais - dois dos melhores pais do mundo! E seja qual for o arranjo, o que faz uma criança de seis anos acreditar que tem a alegria de ter consigo o melhor pai que poderia ter?

O título de melhor de todos não foi dado, neste caso, porque o pai fica o tempo todo por conta do menino, porque isso não é verdade. Não é porque ele atende de pronto a todo chamado pra brincar, ou porque conserta o brinquedo que quebrou na mesma hora e nem porque ele compra sempre o lanche preferido no supermercado. Ele nem sempre compra. Também não é porque ele tem uma paciência infinita e sempre sabe como resolver o dilema dos irmãos, porque ele evita o choro dos dois a qualquer custo e nem porque tem uma poção mágica pra fazer com que o pequetito pare de chorar de repente, levante do chão, e entre na brincadeira do jeito que o irmão sonhou. Isso ele não sabe fazer. Ele não é um herói. 

Mas talvez o pai do menino seja o melhor de todos porque pesquise com ele pacientemente utilíssimas informações sobre pedras preciosas, sobre a escavação de fósseis e sobre os segredos escondidos por trás de cada fase do jogo do Lego. Talvez porque ele goste de mostrar pro filho as belezas de uma cidade nova (ou um canto novo da mesma cidade), faça chuva ou faça sol, ou faça neve. Talvez seja porque ele goste de conversar, e sempre queira saber "como é que foi? E o que você achou?" Talvez porque ele converse olhando pra ele. Talvez seja ainda porque ele ouça rock, e ouça alto, no caminho da escola, ou porque ele cuide de cada detalhe do material escolar e ajude na dificílima tarefa de escolher um brinquedo pra levar pro passeio… Pode ser também porque ele não tenha medo de afeto, nem de vínculo, nem de rotina, nem de responsabilidade (ou talvez tenha medo, gente que é, mas enfrente, naturalmente)...  

Ou talvez seja porque ele saiba o tamanho que tem. Quando o menino nasceu, quase sete anos atrás, antes dos livros, das técnicas, da teoria e dos medos, antes de a gente saber que depois viria o pequetito, ele me disse na maternidade, com o bebê no colo, a despeito das minhas dúvidas e angústias, que se sentia forte, muito forte. Disse que tinha uma energia nova que o fazia acreditar que daria tudo certo, que nós construiríamos o caminho que nos faz bem. O menino não conhece, ainda, essa história, mas deve ser por isso, por causa dessa energia, que ele, como tantos outros, tem o melhor pai de todos.

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