Dia 39/52
/Não costuma aparecer nos guias, pelo menos não nos mais batidos, mas Roma tem um Museu da Criança, que também podemos entender como um museu de ciências. O nome oficial, que não podia ser mais adequado, é Explora. Depois de mais uma maratona (mais curta, desta vez) em torno da arte e das belezas que a cidade oferece assim, logo ali, naquela esquina, terminamos o dia com duas crianças felizes igual pinto no lixo, fazendo o que, no frigir dos ovos, criança deve fazer. Está lá a sugestão do museu pras famílias, um texto meio longo que pode ser resumido assim: deixa a criança brincar como quiser, quantas vezes quiser, na hora em que quiser. Não dirija a experiência dela, não faça escolhas por ela, não pense que você sabe exatamente do que ela gosta. Nada que ainda não nos tenham dito muitos especialistas na infância, mas não custa lembrar, e foi com a inspiração desta proposta renovada que entrei no lugar.
Eles começaram ainda do lado de fora, rindo de entusiasmo, querendo se jogar, mas com medo da novidade, sem nem notar o frio que anda se intensificando, e eu me segurei pra não colocar todo mundo pra dentro na mesma hora, “anda, senão não dá tempo de ver tudo”... Mas depois da tirolesa italiana, partiram pro museu propriamente dito, mal penduraram os casacos e já foram viver a vida, sem absolutamente nenhuma sequência, sem lógica alguma, sem me explicar pra onde iam. Eu já ia abrindo a boca pra dizer que deviam ver primeiro o que tem aqui embaixo, e eles já estavam no segundo piso, repetindo freneticamente algumas experiências, ignorando outras… Exploraram todo o espaço, primeiro juntos, depois separados, sempre usando a privacidade do português pra dividir as novidades com o irmão, “caraca, vem ver isso, olha que demais!” Depois de dias programada pra pedir calma, porque estamos no avião, num museu, numa igreja, etc, venci minha tentação de intervir. Ficamos até o último minuto, saíram leves pela rua escura e o menino agradeceu, “ai, mãe, foi demais!” “É mesmo? O que vocês fizeram de tão bom?” “A gente brincou, ué!” Como, aliás, fazem crianças felizes em qualquer canto desse mundo…