Dia 48/52
/Eles adoram o restaurante que fica aqui pertinho de casa. É àquela comida simples e caprichada, temperinho caseiro, coisa boa pra dar pra criança, que recorremos quando nos enrolamos com a rotina em casa, quando não dá tempo de cozinhar o feijão, ou nos sábados de preguicinha. Na volta pra casa, com malas espalhadas pelo chão, geladeira vazia e uma fila sem precedentes na máquina de lavar, nosso destino não podia ser outro, e eles foram pela rua comemorando. A eles o que interessa não é exatamente a comida, que gostam também. Mas é que desenvolveram uma relação de afeto com o lugar e com as pessoas, o casal de donos, a moça sorridente que sempre traz um suquinho pra eles, a pia que permite que lavem as mãos sozinhos, a vizinhança que vira e mexe a gente encontra por ali. Há algum tempo descobriram que temos um cartão de fidelidade e desde então monitoram com o maior interesse os dias em que temos um almoço grátis, motivo de uma alegria pura, muito mais valiosa do que os reais que chegamos de fato a economizar. Hoje o pequetito foi o responsável pela contagem... monitorou o carimbo, conferiu quantos temos, quantos faltam e dividiu com quem quisesse ouvir seus planos prevendo quando e como vamos completar o cartão. Foi andando com ele na mão até em casa, dizendo, entre outras coisas, que foi bom viajar, mas que agora que a gente chegou, a gente já sabe onde tem comida boa...