Dia 49/52

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Foi logo nos primeiros minutos do dia que notaram o calendário pendurado na parede da cozinha, foto nova, semanas inteiras pela frente. "Por que você virou? Já é fevereiro, mãe?" Eu confirmei, e eles se animaram, disseram alguma coisa como "ebaaaa, já é fevereiro", e eu mal reagi. O que me provoca alguma angústia os enche de alegria, e então só me resta observar. Continuaram animados porque janeiro se foi, porque hoje é fevereiro, e eu já ia imaginando que talvez os últimos 31 dias não tenham agradado tanto quanto eu desejei, quando o menino disse: "tomara que fevereiro seja tão bom quando janeiro". Ah! Entrei na conversa neste ponto, pra saber o que houve de tão bom no mês que passou, e ele me disse que foi "a gente não ter compromisso, poder fazer o que quiser com o tempo". Delícia inquestionável, e sob esse ponto de vista fevereiro vai ser diferente, "eu sei, mãe, eu sei." Eram pouco mais de 8h, e tínhamos ainda inteirinha nossa última sexta-feira livre, sem compromisso, considerando o futuro próximo, e eu vi que isso era o melhor que esse dia poderia nos dar. Não dei ideia nenhuma, não sugeri isso nem aquilo, só expliquei que eu tinha alguns compromissos, uma reunião no começo da tarde, "preciso cuidar de umas coisas". "E a gente?" "Vocês fazem o que quiserem." Rodaram pela casa no começo, viram "Shaun, o carneiro", depois o Homem-aranha, criaram uma curta narrativa com bonecos em miniatura e, de repente, o menino começou a juntar caixas, copos de plástico, tinta, papel e cola. Foi pra varanda, nosso lugar oficial da tinta guache, e me explicou que já sabia o que ia fazer com esse dia sem compromisso: um carrinho de brinquedo. Ensaiou por conta dele, cortou torto, colou com cola demais, pediu à tia uma ajuda com as rodas e o acabamento da lataria, e me mostrou orgulhoso quando cheguei. Me disse que é o carro mais legal do mundo.