Dia 33/52

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Se a maternidade por si só é um pêndulo de emoções, o que dizer de uma longa viagem, pra um lugar que nunca fomos juntos, sujeitos a toda sorte de imprevistos, com duas crianças cheias de alegria e saúde? Não tive energia pra contar quantas vezes me senti a mais realizada das criaturas e quantas vezes achei que ia dar um troço de desespero nas últimas 24 horas, mas é assim quando a gente mergulha nas grandes aventuras... Depois de passar a noite viajando e dormindo pouquíssimo, depois de enfrentar filas, dúvidas, expectativas, malas, altas doses de carinho e crises de choro porque “não gosto de água com gás” ou coisa parecida, não queríamos nada demais, “vamos só dar uma volta, sentir a cidade”... Mas uma coisa eu sei sobre planos de “sentir a cidade” com crianças: ou você “vai sentindo” no ritmo delas, trazendo-as pra dentro do passeio, ou está lascado...

Saímos já de tarde do apartamento, e ainda na porta reconhecemos nosso cansaço e tentamos um combinado de ampla colaboração, que por vezes, é claro, esbarrou em quem? No cansaço. Mas todas as vezes que eu achei que não dava mais, que dali não passava, “melhor voltar pra casa”, uma brincadeira bem encaixada, uma história bem contada, um colo respeitoso ou uma balinha cítrica resgatava os dois de volta pro passeio, e a gente ia enchendo nossa memória de alegrias. Neste primeiro dia ouvindo o som da Itália, vimos prédios incríveis, muros cheios de história, comemos pizza (e pasta!), descobrimos árvores e folhas e frutos que nunca tínhamos visto, e levamos a lutinha pra um cenário indescritível... E todo mundo ganhou... 😉

Dia 32/52

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Ainda estávamos em casa, malas prontas, toma uma aguinha, faz o “último xixi”, lava bem essas mãozinhas, quando o menino parou na porta do banheiro e me perguntou: “mãe, qual a coisa que você mais gosta de viajar?” Eu demorei um pouquinho pra responder, e ele emendou: “eu gosto de conhecer lugares novos”, e antes que eu pudesse desenvolver o tópico, acrescentou: “na verdade, eu gosto de pensar na pessoas, ver como é a vida delas, tipo ouvir a língua que elas estão falando, o jeito de elas fazerem as coisas...” Eu disse toda satisfeita que isso também é a minha parte favorita, porque a gente vai vendo o tamanho do mundo e quantas formas diferentes existem de viver - mesmo quando a língua é a mesma que a nossa -, e isso a gente leva pra sempre. Ele, de repente, me deixou falando sozinha e foi correndo até o quarto. Pegou na cabeceira da cama um porta-retrato com uma foto dele e do pai experimentando “uma vida nova, em outro lugar”, e me disse com o maior sorriso que lhe cabia: “você lembra desse dia? Eu nunca vou esquecer!” Depois chamou o irmão, que veio correndo ver a foto, e juntos fizeram uma pequena lista de lugares que vamos desta vez, de que coisas vamos ver, e onde vamos comer. Lembraram das coisas que a vovó contou na véspera, “você sabe, mamãe, a história de David?”, lamentaram porque nem sempre dá pra ver tudo, e foram pendurar as mochilas nas costas. Há de ser inesquecível... 😉